segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

À deusa da morte

“Ao deitar-me e estender as mãos
Roçando a alma da penumbra que nos envolve
sinto-me tocar na textura ressequida
e gélida de sua tez pálida...

Não há em minha alma qualquer repulsa,
não sobrevive em mim qualquer tipo de medo
ou qualquer espécie nauseante de angústia!

Sentir-te me acalma!
Sentir-te, próxima a mim, me faz adormecer...

Durante minha longa vida
Somente, teus esquálidos, braços
me ninaram...
Unicamente, tua voz fria e cortante,
me entorpeceu os sentidos
e fez – me adormecer.

Companheira cruel, desejo-te!
Como alguém poderia temê-la,
se és a única certeza que temos?

Uma solidão insana me inunda a alma...
Quando não a trago comigo
todos os sentidos e direções
se perdem no imenso vazio
que deixas...

Enquanto a luz do sol seca minhas lágrimas
E finjo sorrir abraçada ao dia
Espero a noite numa ânsia infinda
E nela, na escuridão silenciosa,
entrego-me a ti, ansiosa por teu êxtase!

Não posso explicar este fascínio que exerces em mim...”

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ÂNSIA DO SER

Não gosto mais de tantas coisas
perdi a sensibilidade
não sinto perfume de flores
não sinto gosto na comida
nem mais medo do escuro
agora o escuro é só ausência de luz
me acostumei a isto...
Mas ainda gosto de olhar meus filhos
através da janela embaçada
que há meses não limpo.
Mas eu gosto de ouvir a gargalhada deles
pulando sobre o sofá velho que não posso trocar.
Mas eu ainda gosto de brigar com eles pra entrarem no banho,
mesmo sabendo que vou ter que brigar para sairem de lá.
Gosto quando eles dormem e eu vou segurar a mãozinha adormecida
para tentar saber se ainda posso sentir algo neste coração embrutecido.
Não sei se tenho cura
mas se houver alguma cura
é só por eles que eu vou buscar...

Crônicas Urbanas I

Caminhando sem rumo pelas estradas da vida, com medo de perder, nos fechamos, construímos muros ou redomas que impedem que as pessoas se aproximem.
Permitimos que elas fiquem ao nosso redor, fazemos tudo materialmente para mantê-las bem, todavia esquecemos de dar verdadeiramente o nosso amor, os nossos sentimentos mais puros, os mais sinceros.
Caminhamos com a face rígida. Não sorrimos. Não demonstramos fragilidade. Achamos que assim podemos nos proteger. Mas não conseguimos nos esconder de nós mesmos e por dentro vivemos em um verdadeiro furacão de sensações, de frustrações e insatisfações.
Tão perdidos e tão frágeis somos nós, pobres criaturas. Nos achando tão superiores. Chegamos ao espaço com nossa tecnologia, clonamos outros seres vivos com a nossa ciência genética, mas nunca se viu tantas doenças de origem emocional como hoje. Depressão, estresses, ansiedade, pânico...Até bebês têm sofrido de stress!
Um mundo tecnológico e cada vez menos humano. Nos acostumamos a ver a morte todos os dias na Tv, na rua, nas escolas? Não, não nos acostumamos, por isso estamos adoecendo.
O remédio muitos procuram: em consultórios médicos se enchendo de psicotrópicos, no dinheiro trabalhando cada vez mais para consumir cada vez mais, no álcool e em outras drogas,
em religiões que alucinam e roubam a capacidade de pensar, tirando do ser humano o que ele tem de mais sagrado a liberdade...Nenhuma desta soluções traz um bem definitivo, são todas provisoriamente boas, mas são grandes ilusões de paz.
O carinho, a cumplicidade, o dialogo sincero de coração aberto são os caminhos mais prováveis, talvez o único meio de acalmarmos nossos corações seja sendo verdadeiramente humanos!
Nossas crianças amam o vídeo game, pois na maior parte das vezes é dele que elas obtém satisfação, pois os pais andam tão preocupados em trabalhar mais para colocá-los em escolas melhores, com roupas caras, numa casa enorme, que não sobra tempo para dar-lhes amor, para ensinar-lhes conceitos básicos do bem viver.
Somos seres sociais, e esta onde de anti-sociabilidade que invadiu nossas vidas esta nos sufocando, nos arrastando para um mar de lama.
Assistimos de nossos estofados coloridos os políticos roubando milhões da previdência social e a seres humanos sendo humilhados em filas gigantescas para conseguir um salário miserável de aposentadoria. Vemos comerciais de milhares de produtos de alimentação e no mesmo canal o noticiário apresenta crianças pura pele e osso no sertão, na África, mas sabemos aqui dentro, que existem pessoas com fome ali na esquina de nossa casa.
O Homem errou tanto com a Natureza que hoje ela grita através de furacões, tufões, maremotos, secas... Quem tem o poder de calar a voz da Natureza? Todos trememos, frágeis criaturas...
Que faremos agora?

OLHOS TEUS

quando penso nos olhos teus, surpreende-me a ignorância,
(que contradiz os detalhados estudos que dirijo com veemência;
a toda tua forma, conteudo e essência)...
teus olhos são profundamente misteriosos.
deles não posso se quer dizer a cor!
a cada momento as emoções sobressaltam,
seja raiva, alegria ou dor; teu olhar se transforma,
se transmuda e resplandece glorioso.
derreto as barreiras invisiveis que protegem o meu castelo e
ofereço-te as riquezas do meu reinado.
entrego-me de bandeja;corpo e alma de poetisa
desnudos em tuas mãos!
dei-te estatos de rei e zombaste de mim...
teus olhos se transformaram em boca repleta de risos,
e eu continuei sem compreender
o que teus olhos queriam dizer

SemPre como DeUs quiSer

é na madrugada
que aprendi sonhar
hipnotizada
tentando lhe achar.
pelas águas sonsas
deste meu destino...
beijo muitas bocas
neste meu caminho.
mas nenhuma delas
tem seu gosto, não
toquem logo as cordas
deste violão.
que meus olhos vejam
mesmo sem visão
que o amor que sinto
não é a toa, não.
se a nossa música
não desafinar
vamos pela vida
até deus chamar...

domingo, 15 de novembro de 2009

vítimas das circunstâncias

as vítimas...
óh, as pobres vítimas das circunstâncias...
como sinto pena das vítimas inválidas que se arrastam ao meu redor
cheias de seus sons, gemidos e dons.

sacos de vômitos que carregam nos ombros
tão pesados que mal podem trabalhar
mal podem se esforçar um pouco

quando tudo está perdido...
vítimas protestam
vítimas suspiram
vítimas imploram...

Mas quando sentem medo
vítimas ameaçam
vítimas se transformam
vítimas na verdade
são carrascos

(texto encontrado em um caderno meu com data de 06/00 - achei legal publicar...)


ps: as coisas que escrevo não são óbvias, são metafóricas, têm diversos sentidos. Não escrevo sobre coisas ou pessoas, somente sobre mim e sobre a variedade de sentimentos e pensamentos que carrego. Quem lê é que dá este ou aquele sentido às palavras, conforme elas lhe atinjam, ou não...
Se acham que eu não luto por meus sonhos estão enganados; eu luto, mas tenho RESPONSABILIDADES, tenho família e emprego; e eu estou em segundo plano.
Ter meu blog me satisfaz, pois posso falar com meus amigos através dele. Não sou megalomaníaca... Sou só uma pessoa que gosta de falar do que sente. Não sou poeta, ou escritora, ou atriz. Não sou nenhum projeto bem sucedido de qualquer coisa, e para ser sincera, isso não me importa, não quero nada...
Sou só uma alma perdida que vai para o inferno (se ele existir), com a graça de Deus!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cançãozinha

Não vou mais cantar canções
com minha voz rouca e ferina
Não vou de novo acreditar
num olhar para guiar a minha vida

Não quero mais matar minha sede de você
Em tantos lábios que confundam meu prazer
Tudo que quero é sentir falta de você
E embriagada deste veneno vou viver


Você diz que é a mesma historia,
mas eu afirmo, são outros os meus versos
Do que falo agora?
Desta dor que trago
nesta vida breve
Deste amor que levo
nos meus lábios em febre

Se a dor chegar não vou fingir
Quero me entregar, quero ruir
Quero estar em chamas
Quero ascender...

Não vou mais cantar canções
Embriagada vou viver
Pois são outros os meus versos
Eles, estão em chamas
E meus lábios, em febre!